segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Primícias embusteadas

    De beira de olho botava em chamas os móveis e o assoalho, das ruínas, soltava pleonasmos sobre o amor. Seus berros podiam ser escutados até pelo povo da cidade posterior. Mas para a dama furiosa. sofás revirados e, louça, em pedaços, não eram do seu agrado.    O marido, assustado, permanecia a assistir a fragmentação dos bens, vez-ou-outra roçava o anel do polegar na barba cerrada, como um olhar interrogativo enquanto se perguntava.
    Como por mágia negra a coquete retirou meia dúzia de cartas de amor,  escritas com pena e embebidas em perfume. Cheiro de vagabunda - ela gritou - enquanto o fogo as consumia. Mas o fogo pegou gosto pelo cheiro de mulher e galgou do rabo do vestido até o calcanhar e dali até cá e de cá até o fulminante fim dá buzina que não parava de pedir passagem para o inferno. A casa caiu, a mulher partiu e o homem insistentemente se perguntava, por que mesmo as mulheres ficam tão bonitas quando estão bravas?

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