segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Um escritor vagabundo jamais devia voltar a escrever
Sete e trinta e dois da manhã, a fome matinal deixava um gosto áspero pela boca. A janela assobiava para o vai-e-vem dançante da cortina. Alguns passos descalços por cima de todo o jornal, uma velha máquina de escrever voltava a incomodar a prole dos vizinhos. O amargo era substituído pelo café velho e exageradamente adoçicado.
Ali insistia em manter uma expressão cabisbaixa, juntamente com uma barba mal cuidada. Respirava lentamente, uivava baixinho quando a dor nos pés o incomodava. Passava maior parte do tempo sentado com a cabeça levemente inclinada para a direita e com os olhos hora entrefechados-entreabertos. Sonhava maravilhas e por alguns segundos se sentia fora daquele quarto branco.
Ali insistia em manter uma expressão cabisbaixa, juntamente com uma barba mal cuidada. Respirava lentamente, uivava baixinho quando a dor nos pés o incomodava. Passava maior parte do tempo sentado com a cabeça levemente inclinada para a direita e com os olhos hora entrefechados-entreabertos. Sonhava maravilhas e por alguns segundos se sentia fora daquele quarto branco.
Desejava uma águardente para calar o estômago, desejava bater teclas para calar o coração. Mas agora, de olhos arregalados totalmente abertos, recordava que água não mata fome e nem palavras, coração.
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